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  • Degase realiza segundo dia do VIII Seminário Estadual Socioeducativo na UFF

    21/05/2018

    Por Ascom Degase

    Profissionais, estudantes e especialistas do setor socioeducativo e do sistema de garantia de direitos de vários estados do país participaram, nesta quinta-feira (17/05), do segundo dia do  VIII Seminário Estadual Socioeducativo. O evento foi realizado no auditório do bloco P da Universidade Federal Fluminense, no campus Gragoatá, em Niterói.

    Dando sequência aos debates realizados no dia anterior, a primeira mesa do dia discutiu o tema “Trajetórias de vida, atos infracionais e gênero”, que contou com as presenças da psicóloga, doutora em psicologia social e diretora do Observatório de Favelas, Raquel Willadino Braga; a advogada e pesquisadora do Anis – Instituto de Bioética de Brasília, a doutoranda Sinara Gumieri; e a diretora da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire do Novo Degase, Janaína Abdalla, como mediadora da mesa.

    Na ocasião, Raquel apresentou os resultados de uma pesquisa realizada adolescentes que habitam favelas na cidade do Rio de Janeiro, adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de internação provisória no Degase, além de profissionais de saúde e policiais, com o objetivo de traçar um perfil dos adolescentes envolvidos na rede social do tráfico de drogas no varejo na cidade. A pesquisa, realizada entre os meses de outubro e dezembro de 2017, apresentou dados como: mais de 70% dos jovens entrevistados se declaram como negros ou pardos, mais de 75% abandoraram a escola, a idade prevalecente é entre 16 a 18 anos e a inserção no tráfico costuma acontecer entre os 13 a 15 anos de idade.

    - É imprescindível romper com a lógica de confrontos e avançar na política de controle de armas e munições, além de avançar em ações no campo da prevenção e redução de danos – sugeriu Raquel Willadino, após apresentar as estatísticas de que a maior parte dos jovens envolvidos no tráfico já participaram de conflitos armados tanto em confrontos com a polícia quanto com grupos rivais.

    A fala seguinte foi a da pesquisadora Sinara Gumieri, que apresentou a pesquisa que gerou o livro “Meninas Fora da Lei : a medida socioeducativa de internação no Distrito Federal” (disponível na Biblioteca do Novo Degase, clicando aqui). O relatório trouxe à tona a discussão sobre o gênero, além de suas particularidades dentro do sistema socioeducativo, mas refletindo sobre o papel social que é atribuído às meninas e meninos de forma geral na sociedade. Das 18 meninas entrevistadas, 14 já haviam sofrido violência sexual nas ruas ou em casa e metade delas foram surpreendidas praticando atos infracionais acompanhadas de seus companheiros. Os dados da pesquisa ainda mostram que a maior parte das meninas começa sua vida conjugal entre os 13 e 14 anos, além de metade delas já ter passado pela experiência de morar até 10 dias nas ruas e algumas chegaram a viver mais de 2 meses em situação de rua. Para falar sobre a realidade vivida por essas adolescentes, a estudante de Serviço Social Iasmin Baima, egressa do sistema socioeducativo que participou do processo da pesquisa como Jovem Pesquisadora da Universidade de Brasília, contou sobre a experiência:

    - Antes de praticar a violência, nós sofremos a violência, mas não somos capazes sequer de enxergar isso, porque é um comportamento natural. Está ao nosso redor o tempo todo. Relacionamentos abusivos, mesmo familiares, coronhadas, roubar para ajudar a família como uma forma de lealdade, tudo isso faz parte do nosso cotidiano. Quando temos acesso à novas pessoas e espaços de reflexão, começamos a desnaturalizar a vida que tínhamos e toda essa violência. A rede de apoio é essencial para que o egresso do sistema consiga construir uma nova vida e se desvincular do passado – explicou Iasmin.

    Em seguida, foi lançado oficialmente o livro do último Seminário Socioeducativo, com o tema “Educação, Socioeducação e Escolarização”, que teve como organizadores Elionaldo Fernandes Julião, Claudia Lucia Silva e Soraya Sampaio Vergílio. O livro está disponível para download no site da Biblioteca Luís Carlos Tourinho do Novo Degase, que pode ser acessado clicando aqui.

    A mesa da tarde apresentou o tema “Vulnerabilidade e Desigualdades” e contou com as presenças da Profª Mara Cristina Fernandes Barbosa, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Wanda Engel Aduan, que explicou a dinâmica de funcionamento do Creas, estrutura física e de recursos humanos, com psicólogos, assistentes sociais e pedagogos realizando acompanhamento familiar e individual dos jovens atendidos que cumprem medidas socioeducativas em meio aberto.

    Em seguida, foram ouvidas as Dra. Vânia Sierra, coordenadora do Programa Sobre a Infância e Adolescência do Rio de Janeiro (PIARJ/Uerj); e a assistente social Nathália Carlos da Silva, coordenadora do núcleo de São Gonçalo do Conselho Regional de Serviço Social (CRESS/7ª Região-RJ), que levantaram as questões sobre a vulnerabilidade social dos jovens em conflito com a lei e a necessidade de não identificar esses adolescentes apenas como infratores, comportamento que perpetua esse estigma.

    Ao final das mesas, o público pode participar da discussão com perguntas direcionadas aos palestrantes. O evento foi fechado com a apresentação de trabalhos elaborados por profissionais e pesquisadores de diversas partes do país sobre o tema do Seminário.

     

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