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  • Segundo dia do IV Seminário dos Operadores do Sistema Socioeducativo

    24/10/2016

    Na última quinta-feira (20/10), o auditório do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recebeu o segundo dia do IV Seminário dos Operadores do Sistema Socioeducativo, organizado pela Escola de Gestão Socioeducativa no Novo Degase. 

    O evento foi aberto com a presença do Coordenador Geral do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, Claudio Augusto Vieira da Silva, que pôde dar um panorama mais amplo da atual realidade do sistema, falando de assuntos como superlotação, criação de vagas, redução da maioridade penal, saúde do adolescente e do servidor, entre outros.

    - O sistema socioeducativo foi criado para atender jovens que cometem atos que acarretam em prejuízos para outros, para si mesmos ou para os que convivem com ele, mas não podemos esquecer que trabalhamos com a política do cuidado. Nosso caminho precisa ser o da mediação de conflitos, não o de discursos raivosos, que trazem consequências ainda piores – frisou Claudio.

    O coordenador integrou ainda a mesa que falou sobre “Juventude e Saúde: Tecendo Laços e Garantindo Direitos”, que teve como mediadora a Coordenadora de Saúde Integral e Reinserção Social do Novo Degase, Christiane Zeitoune. Na ocasião, foram apresentados dados relativos ao perfil dos adolescentes internos, fluxo de cuidados com o jovem desde que ele chega até a unidade, articulação com o sistema público de saúde (clínica da família, hospitais, etc.), além de pontuar a questão de que a saúde dentro do sistema socioeducativo envolve não só o adolescente, mas a própria instituição e os servidores que nela atuam.

    Também estiveram presentes para discutir sobre o tema: Maria Isabel Abelson, consultora do Unicef nas áreas de primeira infância e proteção de crianças e adolescentes; Karina Goulart, psicóloga do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (Nesa) da Uerj; Lourdes Trindade, assistente social do Novo Degase e integrante do grupo gestor de saúde mental da instituição; Vêronica Valença, diretora adjunta do Educandário Santo Expedito (ESE) e Dalila Rodrigues, enfermeira do Novo Degase pós-graduada em Saúde da Mulher, que atua na unidade de internação feminina da instituição, o Centro de Socioeducação Professor Antônio Carlos Gomes da Costa (PACGC).

    O momento seguinte do seminário foi uma roda de conversa desenvolvida e mediada pelas pedagogas do Novo Degase, Lívia Vidal e Angélica Barbosa. O diálogo deu voz a um grupo de adolescentes (meninos e meninas) que cumprem medida socioeducativa no Departamento, e seus familiares. O grupo realizou uma série de encontros para refletir livremente sobre temas específicos, cujas reflexões culminaram no Seminário. Também integrou a roda a promotora de justiça da Promotoria de Tutela Coletiva da Infância e Juventude Infracional da Capital, Janaína Pagan.

    - Não dá pra pensarmos na socioeducação sem ouvir os principais envolvidos nela: os adolescentes. - apontou a pedagoga do Novo Degase, Lívia Vidal. - Nossa ideia é permitir que os adolescentes falem, nesse espaço, o que eles realmente pensam, e não o que eles acham que nós queremos ouvir. - completou a pedagoga Angélica.

    Os adolescentes puderam contar seus anseios e experiências de vida, dentro e fora das unidades, os preconceitos vividos, estereótipos que são atribuídos por sua aparência, o que dificulta e os que auxilia na mudança de vida, e sobre o que têm refletido e aprendido.

    Na sequência do evento, aconteceu ainda uma mesa para discutir sobre Justiça Restaurativa, um tema ainda pouco aplicado no Brasil, mas que é apontado como um dos caminhos para vivenciar justamente o que se propôs a reflexão do seminário: a cultura de paz e não violência. Esse debate teve como mediadora a diretora da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire do Novo Degase, Janaína Abadalla, e como convidados o Consultor Internacional em Comunicação Não Violenta e Justiça Restaurativa, Dominic Barter; a promotora de justiça, Janaína Pagan; a Juíza e Coordenadora Judiciária de Articulação das Varas da Infância e Juventude e Idoso, Raquel Chrispino; a assistente social do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que atua na Vara da Infância e Juventude da Capital, Cristiane de Castro Melo; e o agente socioeducativo do Novo Degase, Evandro Gomes Macedo.

    - É possível, é lógico e eficaz olhar pro ato que causou danos, que causou ruptura social, e em vez de decidir que a resposta a esse ato vai ser necessariamente uma atitude que separa, escolher o caminho de quebrar o círculo destrutivo e dar inicio a um círculo restaurativo, que se dá por meio da escuta de ambos os lados: o que causou o mal e o que foi lesado. - explicou o Consultor Dominic.

    Em seguida, fechando as reflexões do Seminário, a mesa “Educação Formal e Socioeducação”, falou sobre políticas educacionais, experiências escolares dentro das unidades de internação e matrizes curriculares adaptadas à realidade e necessidades da socioeducação. O debate foi mediado por Cristiano de Oliveira, pedagogo do Novo Degase, atuante no ESE, e teve como convidados para falar sobre o tema a professora Maria Minerva Valle, diretora regional administrativa e pedagógica da Diretoria Regional de Unidades Escolares Prisionais e Socioeducativas (DIESP); a professora Drª Margareth Martins de Araújo, da Universidade Federal Fluminense;o professor Dr. Elionaldo Fernandes Julião, que já ocupou a cadeira de Diretor da Escola de Gestão Socioeducativa do Novo Degase e hoje atua na Universidade Federal Fluminense; e o professor Paulo Bento, diretor da Escola Estadual Luiza Mahim, que funciona dentro do PACGC, unidade de internação feminina do Novo Degase. 

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